E foi ouvindo essa musiquinha dos infernos de um grupo de pagode que também deve ter saído de lá, que eu senti apertar-me o coração novamente. E eu não me aguento, eu balanço, por mais equilíbrio que eu imagine ter. Como você consegue isso? Por que eu me permito tanto?Talvez por ser burra, até inocente, talvez. Por não saber me explicar, faço coisas que talvez não devesse fazer, ou talvez elas devam ser feitas por algum motivo ou força maior. Não me importa, esses mesmos motivos ou forças, seja lá o que for, não me ajudam absolutamente em nada.
Há um sentimento novo batendo aqui dentro, e que cresce. Já os sentimentos trancados apenas continuam trancados, agem, as vezes, como uma força maior, na verdade como uma tortura, no pensamento que se dedica a lembranças que não se fazem necessárias hoje. Mas me responda com sinceridade, por que eu ainda penso?
Uma mania. Uma inconsequência. Estou mal acostumada ...
Mal acostumada a ter que obedecer ao tal do tempo; por não gostar dele, voltei a conversar com a Lua, que não me disse nada de surpreendente dessa vez ... "As estrelas continuarão lá e se você se esqueceu, eu também vou minguar as vezes ...". Ok, confesso, ela me surpreendeu. Eu realmente havia me esquecido, logo depois me recordei de que da mesma maneira que ela mingua ela cresce novamente.
Pisquei, e a música voltou a tomar conta do meu momento. Maldita música ...
Eu não sei porque o amor faz assim, bem no meio desse clima ruim, aumenta o desejo ...
Nem eu e nem você sabemos. Talvez você devesse ter me tomado em seus braços e me chamado de sua antes, talvez eu não tenha errado sozinha, talvez possam apenas parecer desculpas esfarrapadas, talvez sejam mesmo, talvez ... devem existir tantos "talvez" por trás de tudo que couber à nós.
Temos um longo, imenso, texto a escrever, talvez isso seja apenas mais um parágrafo dele, se o objetivo será alcançado, só saberemos quando a caneta falhar ou a ponta do lápis quebrar.
Tornei a ouvir a música que a cada palavra arremessada aos meus ouvidos, fazia com que ela soasse de maneira diferente, e isso realmente acontecia. Passava um filme frente aos meus olhos, filme esse que não haviam coadjuvantes, que apenas continham figurantes, ora uns salientes, ora outros mais salientes ainda, mas figurantes são apenas figurantes.
Deixarei a música tocar, se dessa você enjoar eu poderei trocar; só não deixe o vento carregar nossa folha versada, com os mais belos momentos que vivemos, e os planos para viver o que ainda não nos foi sugerido. Não amor, não pare de escrever por favor. Quero mais mil sextas-feiras a noite, quero mil micaretas ao seu lado, quero mil latas de devassas vazias pelo chão, quero nossas músicas embalando essas situações, que apenas se fazem com você.
Mas eu ainda tenho tantas coisas a dizer...


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