quarta-feira, 25 de maio de 2011

Ô MANHEEEEEEEEEÊ!

É sim, eu odeio o fato dessa Maria me amar tanto. Odeio quando diz: "minha filha, não faz isso", "minha filha, não vai que vai acontecer...", “minha filha, para com isso”, entre mil e outras coisas que ela diz. Odeio mais ainda quando diz: "não quer? solta então, que vai ter quem queira". Odeio o fato de me preservar das experiências ruins que eu possa ter e mesmo quando não me preserva, ela faz o quê? Me avisa: "minha filha, não gostei muito dela", "minha filha, não acho que isso vá dar certo", "minha filha, ...". Odeio o fato de estar sempre certa. Odeio também o fato de estar aqui mentindo e dizendo que "odeio" essas coisas que ela faz.
Na minha verdade nua e crua, eu simplesmente amo ouvi-la dizendo isso. Mas mesmo assim odeio quando ela diz assim: "minha filha, agora não que eu estou ocupada", ou então quando me acorda e diz: "minha filha, acorda senão você não dorme bem à noite e você está cheia de deveres pra fazer". Odeio quando reclama dizendo que não conto nada para ela, quando diz que é impossível o que eu estou dizendo ser verdade, quando diz que vai pensar sobre alguma coisa que eu pedi. Odeio quando pergunto o que quer de presente e você diz assim: "uma filha obediente por um mês", "que você não xingue tanto por um mês", "que não responda ninguém por dois meses". Odeio. Odeio. Simplesmente o-d-e-i-o.
Mas mesmo com tantas coisas que eu possa odiar em você, você é a minha Maria. Minha mãe. A profissão mais difícil de ter 100% de sucesso no mundo, e você minha Maria, tem 101% de sucesso sempre, até mesmo quando erra, até mesmo quando não me ouve quando quero, quando fala demais ou de menos, até mesmo quando qualquer coisa é motivo para não ser ou não ter, enfim, você é mãe, ou melhor, ou pior, você é minha mãe. Por isso, tem bônus quando o assunto é êxito.
E quando eu paro para pensar em o que eu poderia tentar lhe dizer que expressaria minha real gratidão, meus pensamentos se esvaem. Mas mãe, tudo que você me ensina, diz, eu juro que eu escuto e tanto escuto que quando eu tenho a oportunidade eu sempre digo: "mas ó, minha mãe me ensinou que a melhor coisa, maneira pra resolver isso é...", "ó, minha mãe me ensinou que a gente tem que lidar com essas coisas agindo...".
Minha mãe acha que sabe tudo sobre mim, mesmo eu deixando de mencionar alguns fatos ou acontecimentos. O pior é que ela sabe mesmo e mesmo quando não sabe, descobre.
Eu finjo que minto e minha mãe finge que acredita. Foi assim até algum tempinho e como é normal acontecer, as coisas mudaram. Até coisas demais, diga-se de passagem. Mas mesmo assim mantemos nossa cumplicidade, nosso carinho, nosso colo, nossos ombros, nossos ouvidos sempre ao dispor uma da outra e agora mais do que nunca.
Hoje se eu posso agradecer por alguma coisa, é por você ser a MINHA mãe. É por você ter feito tantas coisas e continuar fazendo. Pelo seu silêncio, pelo seu barulho, pelo seu veto, pela sua permissão, pela sua benção de todos os dias, pelas suas palavras, pelos seus conselhos, pelos seus beijos, pelos seus abraços, pelos seus sorrisos, pelas suas gargalhadas, pelo seu choro, pela sua preocupação, pela sua coragem, pela sua força, por muito menos, por muito mais.
Penso eu que papel exerce uma mãe, se não viver em pró da sua cria
? Ah, mãe
, acho que nem você consegue responder isso.
Nem se eu fizer tudo que estiver ao meu alcance eu sei que não poderia lhe retribuir tudo o que você significou e significa, que fez e fará, que foi, é e sempre será pra mim. E tenho certeza mais que absoluta, se é que isso é possível, de que você vai dizer que é só eu atender os seus pedidos, ser mais cúmplice e chegar mais junto já ajuda.
Ah mãe, como se eu não te conhecesse ...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Cavalcante

E lá se foram mais trinta dias arrastados sem você e a sensação de que você vai atravessar a porta e se jogar no chão pra falar com a Mel ainda é grande. Acho que eu quero, eu faço questão de, acreditar nisso. Penso que muitas dores, muitas situações, muitas e muitas coisas mesmo não aconteceriam se você estivesse aqui comigo. Tenho certeza que eu estaria bem melhor se você estivesse aqui e não seria só por você estar e sim por não só simplesmente estar. Nunca me negou nada nessa vida e sempre quis me dar mais e mais. Desculpe-me as lágrimas presas, não quero que ninguém veja e nem ouça nada, por mais que isso piore minha situação, eu prefiro assim.
Desculpe-me novamente por ainda não aceitar e fazer disso tudo ainda pior e mais dolorido do que já é por si só. Desculpe-me também pela falta de vontade das coisas, mas é que tá complicado, sabe pai. Não vou ver mais a sua carinha de paraíba, nem ver você pela porta entre-aberta do quarto. Não vou mais ver seu sorriso, nem ouvir suas reclamações, suas histórias, dos milhares de lugares que você conhecia, de tantas coisas que você tinha pra me ensinar. Você não vai ver meus dezoito anos, minha formatura no técnico, minha entrada na faculdade, minha saída dela, minha luta pra vencer que seria muito mais fácil se você estivesse aqui. Não vai ver a casa pronta, nem usufruir dela com a gente. Não vou mais poder reclamar das suas músicas tocando alto, nem mais ouvir você falando para eu parar de agarrar o thiago. Vão ser tantas coisas faltando por mais longos e longos tempos que vão se arrastar. Tudo bem, tudo bem, eu sei que você vai ver isso tudo, mas com certeza pai, não vai ser do jeito que eu, eu e nem ninguém, queria. Não vou mais poder "brincar de reclamar" em gastar uns trocadinhos comprando alguma coisa do Vasco pra você. Não vai ver seu "fio desencapado", seu "nó cego" crescer. Não vou mais ouvir você arrastando o pé para andar, com aquela cara de moribundo tipo a minha quando acordo, sabe. Ai, pai, vai ser tudo tão, tão diferente agora. Não queria crescer assim, ainda mais sem você aqui. A gente tá indo, sabe. Mas indo quase parando, por mais que a gente tente se apoiar pra não cair, parece que tem sempre alguma de nós encostando no chão, e mesmo que seja desculpa para tomar impulso para não mais cair, às vezes não tem muito êxito.
Queria sonhar com você, mas não tenho conseguido nem dormir e quando fecho os olhos, parece que petrifico e acordo por algum motivo que desconheço. Tenho até me petrificado menos, entretanto, chorado mais. Me sinto emotiva com tudo e sem emoção pra nada, absolutamente nada. Não tenho servido de companhia nem pra mim. Eu tento ir em frente, tento mesmo, de verdade, mas cá entre nós eu tenho mesmo é vontade de jogar tudo para o alto, chutar o balde e que se dane tudo. Tem bastante gente me dando força, mas parece que nada vai me bastar, dessa vez, nada vai me suprir essa dor. Como pode se outro dia você estava me levando para comprar flores para a minha e agora ta aí com ela. Tão rápido, não deu nem tempo de me despedir. De um último beijo, abraço, uma última bênção, brincadeira, uma última qualquer coisa que fosse, só para eu não me sentir assim, vazia, mais uma vez.
Por mais que eu queira me jogar no colo da minha mãe para chorar um pouquinho que fosse, eu não vou conseguir ouvir ela dizendo assim: "ah minha filha, não faz isso com a mamãe não ...". Na verdade, nem no colo dela, nem no de ninguém. Parece que uma coisa pesada tomou conta de mim sabe, é tudo estranho demais. Olhando algumas fotos, eu ainda sinto que você só tá trabalhando e logo logo volta pra casa, como sempre foi. Mesmo longe, estava perto.
O que me resta são seus ensinamentos; toda educação, carinho, caráter, entre outras coisas que você me passou. Isso que eu vou poder levar comigo, lembranças. Jamais esquecer do seu sorriso, da maravilhosa pessoa que você é. Ótimo pai, marido, amigo, companheiro, filho, irmão. Ótimo tudo. E é tudo mesmo. Ás vezes ainda cismo em cultivar o pensamento de como Deus é egoísta. Porque ele nem me deu mais um tempinho nem com a e nem com você. Ele só quer os bons com ele e num deixou nada pra mim. Mas deixa isso pra lá, que é asneira da minha parte. E pai, obrigada por tudo. Tudo mesmo. Desculpa qualquer coisa que eu fizer ou disser. Dá uma forcinha, reza por mim, reza comigo. Vou cultivar a lembrança, disso você pode ter certeza. Você não faz ideia da falta que você faz. Sinto muita saudade também.
Eu te amo, meu velho. Meu velho.