Poderia ser sim somente mais um chocolate decorado com um "Te Amo", uma frase típica usada por aqueles apaixonados, todos tolos, insisto em afirmar. Se não existissem tantas intenções na hora da compra desse pequeno capricho, eu o entregaria sem mais intenções também. Uma vez que há uma dívida, ela deve ser quitada. Sei que tenho muitas delas com você e tentarei com o tempo, se ainda nos for conveniente, quitá-las. Mas que venha o chocolate. Me vejo cansada, tive uma madrugada muito longa cujas lembranças se arrastam até agora. Sinto meus olhos pesados e me vejo quase sem êxito ao querer que seja registrada apenas mais uma intenção que talvez se desfaça no decorrer do dia.
E agora, me imagino sentada frente àquele mesmo portão, com a mesma esperança de te encontrar. Esperança perdida, se olho para o relógio, aquele mesmo objeto que insiste em me mostrar o que registra, o tempo que se passou e nada de você. Daí, me dei conta que eu estava te esperando. Daí, me dei conta de que eu tinha esperança de alguma coisa, por mais que eu quisesse negar. Daí, eu vi que não tive sucesso em minhas intenções.
Minha vontade maior é de arremessar esse mesmo capricho cheio de intenções pelo mesmo portão em que está à minha frente e aí sim, dar as costas para aquilo que eu apenas, como uma tola, tive a inteção de fazer com que acontecesse.
O mesmo relógio, registra meu dia percorrido, registrou meus momentos doloridos e desesperadores, por mais silênciosos que eles tenham sido. E era justamente com o seu colo que eu contei para aí sim, apenas chorar, como eu sempre fiz, e nos teus ouvidos resmungar, para que os meus pudessem ouvir saindo da sua boca, palavras que me acalentassem, porque eu sei que isso tudo iria acontecer se em prantos eu caisse. Eu fantasiei. Eu posso. Eu me permiti isso, mas agora me sinto arrependida.
Você mexe comigo e isso tem me trazido conflitos. Sinceramente, eu neguei, mas era sim de meu intuito fazer com que acontecesse novamente.
Sou apenas uma jovem criminosa, que joga sujo com qualquer sujeito que se puser à minha frente, mas se é você que se põe a minha frente, eu me sinto fragilizada e incapaz de jogar sujo, de lhe pisar, de lhe cuspir qualquer palavra que não se faça realmente real as minhas verdades. Mas você não está aqui. Então eu cuspo aqui mesmo. Cuspo minhas inteções, cuspo minha raiva, cuspo minha espera e limpo a boca, já que é a última coisa que me resta.
Tenho dito que minhas mais sinceras intenções se encerram por aqui. E que se algumas delas voltassem a aparecer, não serão as mesmas.
Sei que você me conhece muito bem e mesmo negando, de você, eu não consigo esconder o quão chateada estou. Mas que seja. Que seja mesmo.
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